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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Eu estive no vale de ossos secos e voltei com esperança! (Ez 37,1-14).

Eu estive no quarto onde a viúva de Sarepta hospedava Elias. De repente, vi o profeta subir as escadas e entrar no aposento carregado nos braços um menino que não respirava mais. Elias colocou a criança na cama e deitou-se sobre ela três vezes, clamando: "Ó Senhor, meu Deus, faze voltar a vida a este menino!" E ele viveu (1Rs 17,17-24).
Eu estava no quarto daquela mulher rica de Sunam, onde Eliseu se hospedava. Na cama do profeta estava estendido o corpo de um menino de pouca idade que tinha acabado de morrer. De repente, vi Eliseu entrar no quarto, fechar a porta, orar ao Senhor e deitar-se sobre a criança, boca a boca, olhos com olhos, mãos com mãos. Enquanto isso, o corpo do morto ia se aquecendo. Então, Eliseu levantou-se, andou de um lado para outro do quarto, voltou e deitou-se de novo sobre o garoto. Em seguida, o menino espirrou sete vezes, abriu os olhos e voltou a viver (2Rs 4,32-37).
Eu estava no quarto da casa de Jairo e vi sua filha de apenas 12 anos morta e estendida na cama. Ao redor dela estavam o pai, a mãe, Pedro, Tiago, João e Jesus. De repente, o Senhor pegou-a pela mão e gritou para ela: "menina, levante-se". Em seguida, ela tornou a viver e levantou-se imediatamente (Lc 8,51-56).
Eu estava junto ao portão da entrada da cidade de Naim e vi Jesus parar o enterro que saia da cidade em direção ao cemitério. O morto era um rapaz, filho único de uma viúva, que chorava muito. Jesus chegou bem perto, tocou no caixão e disse ao morto: "Jovem, eu te ordeno: levanta-te!" O jovem assentou-se no caixão e começou a falar. Então, todo mundo voltou para casa (Lc 7,11-17).
Eu estava no cemitério diante do túmulo de um homem chamado Lázaro, irmão de Maria e Marta, morto a quatro dias. o corpo, já em estado de putrefação, cheirava mal. A mando de Jesus, alguém tirou a pedra e o Senhor gritou para o morto: "Lázaro, venha para fora". E ele saiu! (Jo 11,38-44).
Eu estava no quarto do andar de cima da casa de Tabita, na cidade de Jope. Ela havia adoecido e morrido. Várias viúvas, beneficiadas por ela, estavam ao seu redor e choravam. Pedro, que acabara de chegar de Lida, entrou no quarto e pediu que todos descessem para o andar de baixo. Em seguida, ele ajoelhou-se e orou. Depois, virou-se para o corpo de Tabita e disse: "Tabita, levante-se". A mulher abriu os olhos, sentou-se e, com a ajuda de Pedro, ficou de pé, viva (At 9,36-41).
Eu estava no chamado vale dos ossos secos. Ele era enorme e estava coberto de ossos humanos, todos secos. O espetáculo era sombrio demais, melancólico demais, deprimente demais. Pela enorme quantidade de ossos bagunçados por ali, percebia-se toda a feiura da morte. Só havia uma pessoa viva naquele espaço todo: era o profeta Ezequiel, que andava para lá e para cá. De repente, ouvi o profeta dar um recado de Deus aos ossos: "Eu porei respiração dentro de vocês e os farei viver de novo. Eu lhes darei tendões e músculos e os cobrirei de pele. Porei respiração dentro de vocês e os farei viver de novo. Aí vocês ficarão sabendo que Eu sou o Senhor".
Ao que vi o impossível tornar-se possível. Enquanto o profeta falava, ouvi uma barulhada enorme. Eram os 208 ossos do esqueleto humano se arrumando, cada um em seu próprio lugar, tanto os maiores- como o fêmur-como os menores- como as falanges. 
Se isso não bastasse, vi também que os ossos se cobriam de tendões e músculos e depois de pele. Não eram mais apenas esqueletos deitados, mas corpos humanos inteiros e perfeitos, porém, imóveis como belas estátuas. Tinham bocas, olhos, ouvidos, mãos, pés, mas não falavam, não viam, não ouviam, não apalpavam nem andavam. 
Isso me incomodou muito. Até que ouvi o profeta falar outra vez, agora ao Espírito para que entrasse naqueles corpos e lhes transmitissem vida. Foi o que aconteceu: a respiração entrou neles e aqueles incontáveis corpos viveram de novo e ficaram de pé.
Ali mesmo ouvi a voz de Deus dirigida a Ezequiel: "homem mortal, o povo de Israel é como esses ossos. Dizem que estão secos, sem esperança e sem futuro. Por isso, profetize para o meu povo de Israel e diga-lhes que Eu, o Senhor Deus, abrirei as sepulturas deles, e os tirarei para fora, e os levarei de volta para a terra de Israel (Ez 37,1-14).
A esperança nunca morre, dou graças a Deus por ter estado nesses lugares todos, principalmente no vale dos ossos secos. Pude enxergar as duas ressurreições que Deus opera: a ressurreição da morte psicossomática e a ressurreição da morte espiritual; o despertar do sono da morte e o despertar do sono do pecado. Voltei menos pessimista, menos derrotado e menos frustrado. Cheguei mais animado, mais crente, e mais vigoroso. Troquei a tímida esperança pela grande esperança, posta não em nós mas  naquele que dá ordem aos ossos. Nesse sentido há esperança para todos nós. Quem não lê, não estuda, não reza, não medita a bíblia, nunca vai andar por esses lugares e, possivelmente, não vai recobrar as esperanças. o que você acha?



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