Aprouve a Deus, por meio de Jesus Cristo, estabelecer um tempo para a Igreja. Não era conveniente da parte de Jesus instaurar o Reino de seu Pai sozinho, mas fez questão de formar uma comunidade de discípulos e discípulas. Esta comunidade é EKLESIA, isto é, uma assembléia e, esta assembléia, se chama Igreja.
Antes mesmo de sua páscoa o Senhor instruíra os discípulos quanto às implicâncias deste tempo (At 1,1-11). Não seria um tempo de ausência e nem de orfandade, mas de uma nova presença: “quando Ele vier, o Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade” (Jo 16,13).
Por isso, o tempo que virá depois de Pentecostes será chamado de “o Tempo do Espírito” e consequentemente de “o tempo da Igreja”. O que isso significa para nós? Jesus coloca sua Igreja como a protagonista missionária até os confins da terra.
Entretanto, precisamos entender esse protagonismo. A Igreja somente o será se viver em profunda sintonia com o Espírito e se deixar conduzir por Ele. Do contrário, sua missão não será continuidade da de Jesus, mas será somente sua. O Espírito não veio para confundir, nem dividir, mas para unir, discernir e conduzir. Ele é “o Espírito da Verdade” (Jo 16,13).
Não é de se admirar a existência da Igreja até hoje, mesmo que o seu rosto humano se desfigure com os constantes vendavais da história. Mesmo que no decorrer dos séculos, nas diversas situações históricas, ela, por ser tão rica de dons, tenha dificuldade de se autoconfigurar.
Não é de se admirar a existência das nossas comunidades, das nossas pastorais, ministérios, movimentos, serviços diversos, vocações de todo tipo, e, principalmente, a riqueza sacramental. Por trás de tudo isso, está o Agir do Espírito. Sem o Espírito, a Igreja se torna anêmica e estéril.
Seu dever na história será sempre ouvir o que o Espírito diz a ela. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz” (Ap 2,7). Enfim, Deus deu um tempo para a Igreja. Que ela, isto é, nós, saibamos aproveitar como um verdadeiro dom.
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