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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ê Ô Ô Vida de gado, Povo marcado ê, Povo feliz?

Hoje no hospital vi uma cena lamentável. Derrepente chega uma kombi trazendo, numa cama improvisada dentro do veículo, um homem doente, sem condições de andar.
Fiquei estarrecido com aquela cena. No princípio, imaginei que fosse alguém vindo de longe, do interior por exemplo, onde muitas vezes é difícil os serviços prestados por ambulâncias.
Movido pela curiosidade, e, espantado, como que procurando motivos para se indignar, me aproximei do motorista e perguntei de onde estava vindo aquele homem doente. A resposta me causou mais espanto ainda, dessa vez misturado com revolta, pois o mesmo estava vindo da cidade nova, um bairro da zona norte de Manaus. Tá entendendo? Era de Manaus!
Me perguntei, como pode? Manaus tem o quarto PIB do Brasil, é a economia mais forte do norte do país. É inadmissível que não haja ambulâncias para conduzir doentes adequadamente para o hospital. A população muitas vezes é tratada como gado, está sem direito a sua dignidade, isso é revoltante. Como podemos nos calar? Porque não exigimos nossos direitos? É por isso também que, muitos programas de televisão politiqueiros, daqueles que passam ao meio dia, fazem tanto sucesso em cima da miséria do povo. 
O que o poder público não faz por dever, eles fazem por interesses pensando nos votos e se passando por heróis do povo.
Uma questão interessante chama a atenção, a solidariedade do povo. Ela serve de calmante e dá esperança para a luta do dia a dia. Diante do descaso do poder público, nosso povo se apoia na solidariedade. Mas devemos nos perguntar, como podemos ter autoridades públicas tão insensíveis e incompetentes.
Não podemos nos conformar com a "vida de gado, povo feliz?" É oportunidade para se indignar diante de abusos como estes. Não devemos nos resignar com certos elogios maliciosos do tipo, este povo sofre mais é feliz, é guerreiro e lutador.
Diante de um estado tão indiferente, é preciso perguntar se ainda vale a pena ter voto obrigatório. A ingenuidade de muitos tem elegido muitos políticos sem política. As últimas eleições foram eleições sem política. Isso é muito triste para um país que se diz democrático.Portanto, ao contrário de muitos, não é para lavar as mãos e dizer que não tem mais jeito, é preciso comprometer-se é preciso mudar. Assim como o poder é dado, ele também pode ser tirado.

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